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29/12/2019 Novidades da Diocese de Patos de Minas UM PRESÉPIO DE NATAL E SUAS NARRATIVAS
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Ao visitar o presépio da igreja Matriz Santa Terezinha, em Patos de Minas, algo de instigante, provocante, inquietante e impactante se instala na mente do observador. Que reflexão ou reflexões quis o artista provocar nas pessoas? Por acaso o diálogo entre o verdadeiro sentido do Natal e o caminhar da humanidade com seus efeitos no mundo contemporâneo? Passado o primeiro impacto, o conjunto da obra é capaz de despertar inquietações que levam a algumas narrativas. É preciso saber que construir uma narrativa de uma obra de arte que é uma linguagem não verbal, em linguagem verbal expressa por meio de palavras escritas ou faladas é algo complexo que depende do olhar do espectador. No caso do presépio, ele permite articular a arte ali representada com a literatura bíblica ou com múltiplas conexões com a realidade atual.
O autor do presépio, Frei Luís Eustáquio Mendes, buscou sua inspiração no capítulo 11 do Livro do Deuteronômio que trata da obediência aos mandamentos de Deus como o caminho seguro para a prosperidade através do amor, do serviço, da transmissão da Palavra e pela escolha entre a bênção e a maldição. Um olhar mais apurado aos detalhes do presépio que apresenta ao espectador à luz do Deuteronômio, uma dualidade de cena, de um lado a maldição com a destruição da natureza, a sombra e o sofrimento e do outro lado, a bênção com o verde, o vigor, a docilidade dos pastores, Maria, José e o Menino Deus. Essa cena traz à memória a Encarnação, Deus e a nossa condição humana e, sobretudo o que nós fazemos hoje com a liberdade que nos foi concedida por Ele.
Quando no ano de 1223, São Francisco de Assis fez a primeira representação de um “presépio” – do latim, praesaepe, que significa estrebaria, curral - ele quis facilitar a compreensão do nascimento de Jesus, o entendimento da grandeza de Deus que se manifesta na fragilidade de uma criança, na pobreza de uma estrebaria. Nessa representação do nascimento de Jesus, uma forte simbologia da Igreja Católica, cada figura tem a sua importância e entendê-las em seus devidos lugares alarga os horizontes da fé. Assim, a Estrela é a luz, guia para o encontro com o Salvador; os animais representam a natureza a serviço de Deus e dos homens; os pastores são símbolos da humildade; o anjo é o mensageiro de Deus; os reis magos simbolizam a ciência reconhecendo o Menino Deus como Salvador; o ouro, o incenso e a mirra são os presentes que simbolizam a realeza, a divindade, o sofrimento e eternidade de Jesus; São José, o pai adotivo que deu ao Menino Jesus a experiência de ser filho de um pai terreno; Maria, aquela que disse “sim” à vontade de Deus e o Menino Jesus, o filho de Deus que se fez homem para dar sua vida pela humanidade.
Dessa forma, fazendo a interlocução do conjunto da obra pode se ler dentre outras coisas, o tema do Sínodo da Amazônia -“ Amazônia: novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”- e um de seus lemas: - “ Dimensão socioambiental da evangelização” – Fixando-se no lema, na construção de uma narrativa sobre o presépio tem-se uma mensagem forte sobre como a evangelização está presente hoje nas discussões e ações sobre as questões socioambientais. Qual o lugar que o ser humano ocupa nesse que parece ser um presépio às avessas no mundo contemporâneo? Tem espaço para Menino Deus nascer e trazer a bênção, o verde, a paz, a solidariedade, a fraternidade universal? Como fazer a ponte para o mundo da bênção como nos diz o livro do Deuteronômio?
Esses e muitos outros questionamentos podem fazer parte na construção da narrativa da obra de Frei Luís, impecável em sua riqueza de detalhes, onde bênção e maldição se encontram. São João Paulo II disse sobre a presença dos Reis Magos no nascimento do Menino Jesus: “A verdadeira ciência nos leva a fé, pois revela a grandeza da criação”, pode-se dizer o mesmo sobre a arte do presépio representado na Matriz Santa Terezinha, em Patos de Minas, no ano de 2019.

Parabéns, Frei Luís!

Selma Helena Marques

Atualizado em: 29/12/2019 às 13:18
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