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02/06/2020 Diáconos Permanentes Uma Igreja serviçal Diác. Policarpo Rodrigues Filho
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Os quatro Evangelhos precedem, cronologicamente, os Atos dos Apóstolos, também chamado de Evangelho da Igreja nascente e, às vezes, de quinto evangelho.

Faço lembrança desse fato histórico-bíblico para dizer que o evangelista João, no capítulo 13 do quarto Evangelho, versículos de 1 a 20, nos narra a última ceia de Jesus com os Apóstolos e o lava-pés. Exatamente nos versículos de 12 a 16, se nos apresenta como SERVIDOR de todos e nos recomenda: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, façais também vós.” (At 13, 15)

Ouso enxergar nessas palavras de Jesus, citadas por São João, a mais forte menção ao serviço como característica de toda a Igreja e de todos os batizados. Daí que se tem falado tanto numa Igreja toda ministerial (serviçal) e também samaritana (misericordiosa). O capítulo 6 dos Atos dos Apóstolos vai confirmar isso, quer em relação aos apóstolos mesmos, quer na razão da instituição do serviço diaconal (diaconia).

Fui ordenado como diácono permanente para a Igreja no dia 08.11.1981, em Teresina-PI. Naquela ocasião, quis escolher um pequeno trecho bíblico que me norteasse, espiritualmente, no meu serviço diaconal. Assim, optei pelo capítulo 3, 30 de São João, quando fala de outro João, o Batista: “Importa que ele cresça e que eu diminua”.

Os diáconos permanentes, no seio da Igreja, são homens que, uma vez recebendo o sacramento da ordem, colocam-se a serviço de todos, e o fazem na gratuidade da fé. Diferentemente dos chamados ministros extraordinários, seu serviço porta a graça sacramental (marcados com um selo = caráter), enquanto ministros ordinários (ordenados para isso).

E os serviços na Igreja são tantos. Se um diácono exerce seu ministério numa tríplice dimensão (caridade, Palavra e liturgia), muitos tentam hierarquizar as três. Há quem diga que a caridade precede as outras duas, mas não as exclui, pois o anúncio e a liturgia são, como quê, consequentes. Quem prega, prega com amor. Quem celebra, celebra movido pelo amor a Deus e aos irmãos.

O Papa Francisco, em recente manifestação a respeito dos diáconos permanentes, assim expressou-se: “A Igreja encontra no diaconato permanente a expressão e, ao mesmo tempo, o impulso vital para se converter ela mesma em sinal visível da diaconia de Cristo Servo na história dos homens.”

Servir onde, como, quando e a quem? Eis uma pergunta sempre oportuna. Ensina-nos o Santo Padre que a diaconia deve ser exercida a exemplo de Cristo Servo e voltada aos mais vulneráveis e carentes. Logo, deduzo eu, cada realidade eclesial e eclesiástica vai nos apontar onde, como, quando e a quem servir, da mesma forma como foi no início da comunidade cristã.

É também no livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 8, 26-40, que nos deparamos com uma bela menção ao agir diaconal, na pessoa do diácono Felipe, um dos sete primeiros. Felipe é enviado ao encontro do eunuco, explica-lhe a Palavra e o batiza. Essa breve passagem bíblica bem explicita o onde, o como, o quando e a quem; quer pelo lugar, a pessoa a quem se dirige e como faz Felipe.

Nos meus quase 39 anos de serviço diaconal, em realidades eclesiais diversas, sempre me coloquei numa atitude de quem almeja apenas uma coisa: “Importa que ele cresça e que eu diminua”.


Diác. Policarpo Rodrigues Filho
Diocese de Patos de Minas

Atualizado em: 02/06/2020 às 09:47
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